Capitulo 6
Eleanor
-E agora?- Pergunto a Charlie enquanto me sentava num banco e
metia a mão a tapar a boca.
Ele senta-se a meu lado e pergunta: Qual é a longa história do
jantar?
Olho para ele não acreditava que ele se lembrava do que eu tinha
para lhe contar. Ele ri-se.
Riu antes de responder: Então tudo começa assim…
Andamos durante uns 30 minutos a rir e conversar, não sei porquê,
mas a presença dele fazia-me sentir segura.
Ele sentou-se num muro a olhar para o céu: Quando eu era pequeno
eu e o meu pai vínhamos para aqui e sentávamo-nos a olhar para as estrelas, ele
dizia-me sempre “Sempre que te sentires perdido olha para as estrelas que elas
te mostrarão o caminho”- Fez uma pausa enquanto quando percebeu que eu ia-me
sentar-me a seu lado.- Então desde esse dia eu vinha para aqui para elas me
mostrarem.
Confesso que fiquei emocionada com o que ele tinha acabado de
dizer: E agora?-Ele pareceu confuso com a pergunta, formulei-a melhor.- Não
vens para aqui? Para elas te mostrarem o caminho?
Ele ri: Não, sabes, quando chegas a um momento que não consegues
esperar mais e a tua única vontade é virares as costas a tudo e começares a
fazer tudo por ti mesmo? Acho que foi isso que me aconteceu.
Fiquei um pouco paralisada com o que ele tinha acabado de dizer,
senti que talvez nós tínhamos mais em comum do que eu própria imaginava: Eu
também fui mais ou menos assim, mas não tive coragem de mudar as coisas,
simplesmente, deixei as coisas estarem como estavam.
-Então?- Pergunta-me surpreendido.
-Eu logo te conto.
-Prometes?
-Prometo.- Eu precisava de falar com alguém sobre tudo o que me
aconteceu na vida a morte dos meus pais, o orfanato e a minha irmã mas hoje
não.
Depois disso ficamos a olhar para as estrelas, eram tão bonitas
que só me apetecia levar uma para casa para brilhar sempre mim…
Estava tão cansada que me deixei dormir.
-Ellie, Ellie, acorda!- Pede-me ele com um sorriso na cara.
-O que se passa?
-A toupeira já saiu da toca.
-Ok, não entendi nada do que disseste.
Ele respirou fundo e explicou: A Bella, a namorada do Sammy, já
saiu da casa dele, já podes ir.
Fiquei aliviada, confesso que tinha um pouco de medo de precisar
de ficar a dormir na rua.
-Bem já chegamos.- Digo a Charlie quando me aproximo do prédio.
-Foi uma boa noite.
-Pois foi.- Concordo.
-Até amanhã às 7:55.
-Até amanhã às 7:55.
Connor
Ainda estava chocado com a visita da Jullie que nem ouvi a minha
irmã a chegar:
-Estás bem?-Pergunta a minha irmã com ar de preocupação.
-Sim, onde tivestes?
-Fui ter com o Samuel.
-Porque é que isso não me admira…-Resmungo baixinho.
-Porque é que não consegues ver ninguém feliz? Hã, Connor?
-Eu consigo só não suporto que a tua felicidade seja com aquela
pessoa…
-Essa pessoa tem nome…
-Como queiras…
A minha irmã já estava a ficar irritada…
-Hey, isso foi para quê?- Pergunto quando ela desliga a televisão.
-Sabes o que é que tu és?- Pergunta-me enquanto dá uns passos em
minha direção.
-Não o que sou?- Pergunto curioso.
-Um menino mimado que não gosta de ver ninguém feliz.- Diz
enquanto me aponta o dedo.
-Já tinhas dito isso antes, não te estás a tornar um pouco
repetitiva, maninha?- Pergunto-lhe enquanto me levanto do sofá e dou em frente
dela.
-E vou continuar até mudares de atitude senão…
-Senão o quê?- Pergunto curioso.
-Senão vais-te arrepender.- Responde-me enquanto sobe as escadas.
-Sim, sim, foge, quando faltam os argumento a melhor coisa a fazer
é fugir.- Grito enquanto me sento outra vez no sofá e ligo a TV.
E mais uma noite que se passou, quando me reparo, já é dia e hora
de voltar à escola.
Que seca!
-Bom dia.- Cumprimento a minha irmã.
Não responde.
Sinceramente aquele silêncio já me estava a incomodar mas também
não lhe digo nada, não quero dar parte de fraco e falar com ela como se nada
tivesse acontecido.
Chego à escola por volta das 8:15.
-Então, mano!-Cumprimenta Robert.
-Então, viste a Jullie?
-A Jullie?
-Sim, a tua namorada.
-Sim, foi tomar o pequeno-almoço agora com as amigas.
-Ok.- Precisava de falar o mais rápido possível com ela, precisava
de saber se aquele vídeo realmente existia ou se era mais uma das suas
paranoias.
-Jullie, precisamos de falar.
-Agora?-Pergunta sem vontade.
-Sim.
Depois de um revirar olhos lá veio.
-O que foi?- Pergunta-me sem paciência.
-Mostra-me o vídeo.
-Que vídeo?
-O vídeo.
-Ah o vídeo! Claro.
Depois de procura-lo o video por um tempo ela passa-me o telemóvel. Não
conseguia acreditar, era mesmo verdade.
Próximo
capítulo: “Acorda, Samuel Gomez, precisamos de ter uma conversa.”
Desculpem eu não ter publicado nada esta semana mas é que com a escola não tenho tido tempo para nada...
Espero que gostem:)
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